O país acaba
de atravessar um período de crise, de recessão profunda e de austeridade, nunca
antes constatado, enquadrado por um cenário internacional, em particular
europeu, marcados pela instabilidade e pela incerteza.
O país não
precisa apenas de soluções para casos pontuais, duma estrutura social, política
e económica, já extremamente
desequilibrada.
O país precisa
de reformar toda aquela estrutura, precisa de um plano que aponte soluções de
futuro para os grandes problemas nacionais.
Não é isso que vemos nas
propostas partidárias que, mau grado o momento extremamente difícil que
atravessamos, continuam apostados em medidas avulsas, para encantar o eleitor e
com isso, chegar ao poder.
A estratégia não muda.
Mas, também não creio que, se
algum partido apresentasse esse plano, conseguisse convencer o eleitor a
dar-lhe o seu voto, provavelmente não o daria, simplesmente porque, para a
lógia de uma boa parte dos cidadão, isso não seria uma questão prioritária.
O que é
sempre prioritário, é a medida avulsa, o rebuçado: aumentar a pensão, diminuir
os impostos, aumentar o salário mínimo, embora num quadro de depauperamento
geral do país.
Não é que as
medidas avulso não sejam importantes, principalmente se se destinam a aliviar a
calamidade social em que vivem largas camadas da população.
Mas, deviam
ser sempre enquadradas, por um Plano, previamente concebido e que garantisse a
sua exequibilidade.
Essa
estratégia não obsta a que não seja equacionada a resolução dos grandes
problemas nacionais, sempre adiados de governação em governação e que estão a
condicionar o nosso crescimento e desenvolvimento, quais sejam:
- Que arquitectura de país
desejamos para o futuro
- O problema da dívida pública (o
principal factor condicionante): renegociação, perdão de uma parte ou
mutualização?
- Reforma do Modelo de
Desenvolvimento, manifestamente redutor do desenvolvimento. Implica alteração
ou mesmo reforma da Constituição.
- Um Plano bem elaborado, de reforma
do Estado: que diminua a sua dimensão, centrando-se na qualidade em detrimento
da quantidade, mas garantindo sempre as suas funções essenciais.
- Reforma do sector público empresarial (só podendo
ser mantido o que for viável) assim como da estrutura autárquica e orgânica.
- Estratégia demográfica activa,
que possa lentamente, ir repondo o equilíbrio demográfico do país.
- Reforma do Sistema de Segurança
Social que, manifestamente, seja sustentável. Isto implica abdicar de
ideologias e optar pelo sistema que garanta a sua sustentabilidade e ao mesmo
tempo garantindo uma pensão digna a quem descontou uma vida inteira.
- Opção estratégica de
permanência ou não na zona euro.
- Renegociação, mais enérgica, de
contratos de PPP´s e das rendas energéticas, que absorvem uma boa parte dos
recursos do país.
Sem iniciar
estas reformas, não é possível fazer sair o país do estado de marasmo e
estagnação em que se encontra.
Ora, é rara
a força política que ousa falar nisto que, afinal, é o que é importante e prioritário.
Dos discursos do Pontal, apenas
uma ideia chave sobressai e pretende convencer o eleitorado: a de que é mais seguro optar pela
estabilidade, embora com estagnação, do que pela mudança com instabilidade.
Propostas para o futuro. Zero!
Do programa do Partido Socialista, embora se fale em mudanças, insiste nas medidas avulso, ideias bonitas mas sem garantia de exequibilidade futura, num país depauperado e sem recursos, que crises sucessivas e um modelo de desenvolvimento errado, provocaram.
O seu Plano a 10 anos pouco ou nada muda, baseando-se, como sempre, no modelo de desenvolvimento existente.
ASSIM, NÃO VAMOS LONGE!
AS ACTUAIS FORÇAS POLÍTICAS JÁ DERAM PROVAS, EM 40 ANOS DE REGIME, QUE SÃO INCAPAZES DE MUDAR O PAÍS E O SEU PARADIGMA DE DESENVOLVIMENTO.
