Parar para pensar

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terça-feira, 18 de agosto de 2015

O FUTURO DE PORTUGAL: ESTABILIDADE , NA ESTAGNAÇÃO?

Em vésperas de início de mais uma campanha eleitoral para as legislativas, as forças políticas perfilam-se e alinham os seus exércitos, brindam-se com ataques  cerrados, trocam acusações mútuas, como que avisando e provocando o adversário, para a eminente contenda que se avizinha.
 Nada e novo. Foi sempre assim, em campanhas anteriores, entre os principais contendores.
 Só que, desta vez é diferente, muito diferente!
O país acaba de atravessar um período de crise, de recessão profunda e de austeridade, nunca antes constatado, enquadrado por um cenário internacional, em particular europeu, marcados pela instabilidade e pela incerteza.

O país não precisa apenas de soluções para casos pontuais, duma estrutura social, política e económica,  já extremamente desequilibrada.

O país precisa de reformar toda aquela estrutura, precisa de um plano que aponte soluções de futuro para os grandes problemas nacionais.

Não é isso que vemos nas propostas partidárias que, mau grado o momento extremamente difícil que atravessamos, continuam apostados em medidas avulsas, para encantar o eleitor e com isso, chegar ao poder.

A estratégia não muda.

Mas, também não creio que, se algum partido apresentasse esse plano, conseguisse convencer o eleitor a dar-lhe o seu voto, provavelmente não o daria, simplesmente porque, para a lógia de uma boa parte dos cidadão, isso não seria uma questão prioritária.

O que é sempre prioritário, é a medida avulsa, o rebuçado: aumentar a pensão, diminuir os impostos, aumentar o salário mínimo, embora num quadro de depauperamento geral do país.

Não é que as medidas avulso não sejam importantes, principalmente se se destinam a aliviar a calamidade social em que vivem largas camadas da população.

Mas, deviam ser sempre enquadradas, por um Plano, previamente concebido e que garantisse a sua exequibilidade.

Essa estratégia não obsta a que não seja equacionada a resolução dos grandes problemas nacionais, sempre adiados de governação em governação e que estão a condicionar o nosso crescimento e desenvolvimento, quais sejam:
 

- Que arquitectura de país desejamos para o futuro

- O problema da dívida pública (o principal factor condicionante): renegociação, perdão de uma parte ou mutualização?

- Reforma do Modelo de Desenvolvimento, manifestamente redutor do desenvolvimento. Implica alteração ou mesmo reforma da Constituição.

- Um Plano bem elaborado, de reforma do Estado: que diminua a sua dimensão, centrando-se na qualidade em detrimento da quantidade, mas garantindo sempre as suas funções essenciais.

-  Reforma do sector público empresarial (só podendo ser mantido o que for viável) assim como da estrutura autárquica e orgânica.

- Estratégia demográfica activa, que possa lentamente, ir repondo o equilíbrio demográfico do país.

- Reforma do Sistema de Segurança Social que, manifestamente, seja sustentável. Isto implica abdicar de ideologias e optar pelo sistema que garanta a sua sustentabilidade e ao mesmo tempo garantindo uma pensão digna a quem descontou uma vida inteira.

- Opção estratégica de permanência ou não na zona euro.

- Renegociação, mais enérgica, de contratos de PPP´s e das rendas energéticas, que absorvem uma boa parte dos recursos do país.

Sem iniciar estas reformas, não é possível fazer sair o país do estado de marasmo e estagnação em que se encontra.

Ora, é rara a força política que ousa falar nisto que, afinal, é o que é importante e prioritário.

Dos discursos do Pontal, apenas uma ideia chave sobressai e pretende convencer o eleitorado:  a de que é mais seguro optar pela estabilidade, embora com estagnação, do que pela mudança com instabilidade. Propostas para o futuro. Zero!


Do programa do Partido Socialista, embora se fale em mudanças, insiste nas medidas avulso, ideias bonitas mas sem garantia de exequibilidade futura, num país depauperado e sem recursos, que crises sucessivas e um modelo de desenvolvimento errado, provocaram.
O seu Plano a 10 anos pouco ou nada muda, baseando-se, como sempre, no modelo de desenvolvimento existente.

ASSIM, NÃO VAMOS LONGE!  
AS ACTUAIS FORÇAS POLÍTICAS JÁ DERAM PROVAS, EM 40 ANOS DE REGIME, QUE SÃO INCAPAZES DE MUDAR O PAÍS E O SEU PARADIGMA DE DESENVOLVIMENTO.